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Entrevistas  
Mestre Ray, de BH para o mundo, levando sua mensagem através da capoeira.

A capoeira é uma missão de vida, me considero como um sacerdote que anda pelo mundo levando uma mensagem de paz, axé e felicidade!

RC: Quando, como e porque você começou na Capoeira?

Iniciei nas artes marciais antes dos 10 anos de idade, entre amigos sempre gostava das disputas de força, lutas. Iniciei no Judô, pratiquei Karatê e conheci a capoeira ao me reunir a um grupo de amigos aos finais de semana para treinar diversos estilos de lutas. A capoeira me despertou interesse pela facilidade com que o capoeirista executava seus movimentos acrobáticos além da musicalidade, tocar o berimbau e cantar. Meados da década de 70, segui praticando karatê e capoeira, mas só mais tarde resolvi seguir somente a capoeira que é uma expressão do jeito  brasileiro de ser.

 

     RC: O que é a capoeira para você?

Missão. A capoeira é uma missão de vida, me considero como um sacerdote que anda pelo mundo levando uma mensagem de paz, axé e felicidade!

A capoeira me deu e ainda me dá muitas coisas boas, muita realização. Ela me faz bem ao corpo e a alma, sendo assim procuro ensiná-la ao maior número de pessoas possível, nos mais diversos lugares do mundo. A capoeira nos traz a alegria de Viver!

 

RC: Quais as diferenças que você vê na Capoeira de hoje e de quando você começou?

A capoeira daquele tempo, ensinava-se aos amigos, aos parentes, como dizia Mestre Pastinha: ”... afilhado do mesmo padrinho meu, Aberrê”. Hoje a capoeira esta massificada, divulgada aos 4 cantos do Mundo, de todas as formas, para todas as necessidades. Ganha em número, perde em fundamentos, oralidade, antes existiam discípulos, hoje alunos que simbolizam números/mensalidades.

 

RC: Que personalidades no mundo da capoeira e fora dele, você teve ou tem como referencial?

Temos vários bons exemplos de mestres  e pessoas que nos inspiram a vida toda , formando nossos valores éticos e morais. Além de nossos pais, irmãos e amigos próximos. Poderia citar: Mestre Waldemar pela sensibilidade musical, Mestre Traíra pela qualidade técnica e musical também e Mestre Bimba pela capacidade criativa, determinação.

 

RC: Em sua opinião, há alguma diferença no papel do Mestre de Capoeira hoje e no passado? Quais? As exigências para quem deseja se tornar um mestre se modificaram? Como?

O mestre na capoeira sempre assumiu um papel de liderança, de modelo na maioria das vezes. Ensina pelo exemplo.

O Mestre tinha que ter o respaldo da sociedade e da capoeira. Hoje em dia se vê mestres que se formam com menos de 30 anos de idade. O mestre deve ter não só experiência de capoeira, mas também de vida e sabedoria.

 

RC: Você lidera um grupo em outro país? Como foi a sua experiência lá?Cheguei a Europa pela primeira vez em 1989, nesta época ainda eram poucos os mestres e professores de capoeira por lá, as pessoas não conheciam nem o Brasil quanto mais à capoeira, o berimbau era um instrumento estranho aos seus olhos, sempre perguntavam o que era e de onde era, se éramos africanos. Hoje tudo isto mudou nos aeroportos todos sabem o que é capoeira, pra que serve já viram nas televisões etc.

A capoeira esta globalizada!

 

RC: E a globalização, em sua opinião, oferece desafios para a manutenção da tradição? Quais?

Sim, tudo aquilo que se expande tende a diluir, é preciso sempre atenção aos preceitos da capoeira para que ela não se perca eleger o Brasil como a “MECA” da capoeira e que todos venham beber água na fonte, com os velhos mestres.

 

RC: Fale sobre o grupo Oficina da Capoeira e qual a projeção que você faz desse trabalho para o futuro?

O Grupo Oficina da Capoeira é um grupo de pessoas que se identificam com a maneira de ver e fazer a capoeira do Mestre Ray. Tem crescido cada vez mais o número de pessoas que nos procuram para se integrar no grupo, mas não basta somente se identificar, tem que trabalhar junto, somar esforços para que a capoeira esteja sempre em alto nível técnico e social.

Nosso trabalho é a capacitar nossa equipe para levar a capoeira aos 4 cantos do Mundo, contornando as dificuldades para se tornar uma referência no mundo da capoeira, com integridade,respeito e dedicação.

 

RC: Quais aspectos da capoeira que você transfere para o dia a dia?

Procuro viver pela ótica da capoeira, tudo que vejo, leio, falo ou onde vou, está diretamente ligado a capoeira de alguma forma. Meus amigos, a família, todos estão envolvidos na capoeira de alguma maneira.

 

RC: É sabido que a transmissão oral é uma forma de preservação da cultura de um povo. Como surgiu na sua vida esse talento pra contar histórias da capoeira?

Foi através de uma experiência com meus alunos, quando nos reuníamos ao pé do fogão de lenha para conversar, tomar caldos quentes e falar de capoeira.

É uma forma de manter a tradição de transmissão oral da capoeira que passa de mestre pra aluno. Resgatando o valor do Mestre como transmissor de cultura.

 

RC: Suas musicas são muito cantadas nas rodas. Como é seu processo de criação?

A inspiração é divina, existe um trabalho de 12 anos de incentivo a esta prática, o que graças Deus tem dado bons resultados, gerando a gravação de 4 CD’s com músicas de capoeira e apresentando cada ano novos cantadores de capoeira imbuídos da responsabilidade de documentar seu tempo em Música.

 

RC: Sabendo que cada pessoa tem um olhar para os acontecimentos. Quais os momentos que você destaca na sua trajetória na capoeira?

Acredito que meu melhor momento é agora, estou colhendo os frutos de meus 30 anos dedicados à capoeira, desfruto do respeito e admiração de muitas pessoas, mestres, alunos, amigos. Tenho viajado por muitos países a convite de pessoas que admiram nosso trabalho.

Além de poder realizar aquilo que me propus, me dedicar exclusivamente à capoeira viver dela e pra ela.

Contato:

mestreray@hotmail.com

www.mestreray.com

22/09/2008 21:54:36
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20/11/2009
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